domingo, 24 de maio de 2009

na barreira do inferno: Walk like an egipcian!

Primeiro foram as aranhas pequenas, dessas de ter no teto, mas eram tantas... e estão lá ainda... nem dou conta de tirá-las.
Vieram maiores depois, verdes pequenas e felpudas. Eu levantava um objeto e lá estavam elas, peduradas. E velozes! Capazes de atravessar tudo antes que você corra atrás.
Depois teve as grandes. Caranguejeiras, com pernas grossas e peludas. Foram poucas, 3 ou 4, mas deram medo de dividir o espaço com elas.
Escorpiões também, mas foram poucos. Uns 5 só... marrons.
Aí chegaram as murissocas e pernilongos... depois das chuvas invadem tudo... muitos. Enchem o teto deles, centenas, me picam. Dói e coça. Centenas!
Então brotaram das portas muitas formigas grandes, rasteiras de solo... quase transparentes e as que voam. São 3 portas, 3 tipos de formigas... hábitos semelhantes. Noturnas.
Agora surgiram as rãzinhas... bem pequenas.. entram pelas frestas das janelas... pulam pulos gigantes, geladas viscosas e lindas... essas eu pego e coloco para fora, crescerão.
É assim morar na Barreira do Inferno, se forem pragas, faltam 2 pra 7.
Walk like an egipcian!

domingo, 10 de maio de 2009

cotidiano

Fica difícil pra uma vaca sair do supermercado cheia de sacolas e pegar um micro-ônibus.
Mas eu subi. Passei pela catraca, paguei ao motorista que puxou meu rabo que ficou preso na porta. Sorrimos entrei chacoalhando e fui pro fundo onde parecia ter lugar.
Dei de cara com um bêbado que me disse sussurrando: -Vamu pra delagacia!
Voltei prum assento ao lado de um grandão, que não gostou muito, mas nos ajeitamos.
Lá atrás o cara continuava: -Pára na delegacia!
A cada vez que dizia isso, as pessoas olhavam pra trás. Metade delas eram crianças, com seus pais, todas um pouco assustadas.
O ônibus já não estava mais tão cheio e então o cara teve mais espaço e disse agora: -Devolve a menina!
Olhei pra trás e vi um grandalhão, eu já o tinha visto outras veses pelo bairro, com os olhos esbugalhados de terror, com uma menina de uns 6 anos agarrada nele, gritou em pânico: -Ele é meu pai!
O cara disse mais uma vez: -Devolve a menina!
Antes que terminasse a frase, tomou uma cotovelada de baixo pra cima, caiu sentado, e sem que precisasse muito esforço o pai encheu de socos a cara do cara.
Era uma parada. O cara desceu em silêncio. Virou-se para olhar o interior do ônibus. Levou a mão à boca ensanguentada. Alucinado continuou olhando pro nada quando o ônibus arrancou.
Fez se um herói.
As pessoas passavam pelo pai, cumprimentando. Uma disse que já tinha visto o cara o seguindo, outro que usava carteira especial. Ainda lembro daquele olhar... vidrado e sangrando. Sangue nos olhos.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

pequenos poderes


Atravessei a praça em direção à um teatro no centro da cidade.
Fui a bilheteira e perguntei:
-Olá... Que horas eu poderia ver o teatro?
-Ela de dentro, abriu a boca, cheia de lanche e me cuspiu dizendo:
-Fique a vontade, pode entrar!
E falou isso lançando pedaços de comida na minha direção, que por minha sorte esborrifaram e escorreram pelo vidro.
Fui pro saguão indicado, as pernas de um sargento bloqueavam a passagem, estavam esticadas para frente, em sua cadeira de tédio.
-Que assunto a "senhora" quer tratar?
-Alguém da administração? Pauta, agenda, programação... sou artista e...
-Não pode não... volte outro dia.
-Então posso falar com algum funcionário do teatro?
-Hoje não pode não...
E esperei, ainda um pouco... ninguém apareceu.
Enfiei meu rabinho entre as pernas, baixei meus cornos e fui pastar por ali.

domingo, 19 de abril de 2009

19 de abril dia do índio