quarta-feira, 19 de agosto de 2009

meu cafezal em flor


hoje fiz café...
mas não um café qualqué...
primeiro colhi,
ao sol passei o rodo, sequei, torrei e moí...
cheiro de queimado, cheiro de torrado
aroma de café passado
servido café ?

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

pés de galinha

Nesse sábado eu estava na manicure cuidando dos meus cascos quando tirei essa foto com meu celular...
Eu tremia por dentro por ver essa cena, como se não fosse engraçado, eu, uma vaca, também de molho num banho de espumas.
Depois vieram as escovadas nos pés de galinha, secagem, tratamento dermatológico, curativos, corte das unhas, lixa, esmaltes, pomadas cremes e ataduras.
Um garnizé a esperava do outro lado da cerca, faminto. Ela se manteve na área vip. Junto com ele, apartadas, as outras galinhas ciscavam, com os pés na lama.

domingo, 24 de maio de 2009

na barreira do inferno: Walk like an egipcian!

Primeiro foram as aranhas pequenas, dessas de ter no teto, mas eram tantas... e estão lá ainda... nem dou conta de tirá-las.
Vieram maiores depois, verdes pequenas e felpudas. Eu levantava um objeto e lá estavam elas, peduradas. E velozes! Capazes de atravessar tudo antes que você corra atrás.
Depois teve as grandes. Caranguejeiras, com pernas grossas e peludas. Foram poucas, 3 ou 4, mas deram medo de dividir o espaço com elas.
Escorpiões também, mas foram poucos. Uns 5 só... marrons.
Aí chegaram as murissocas e pernilongos... depois das chuvas invadem tudo... muitos. Enchem o teto deles, centenas, me picam. Dói e coça. Centenas!
Então brotaram das portas muitas formigas grandes, rasteiras de solo... quase transparentes e as que voam. São 3 portas, 3 tipos de formigas... hábitos semelhantes. Noturnas.
Agora surgiram as rãzinhas... bem pequenas.. entram pelas frestas das janelas... pulam pulos gigantes, geladas viscosas e lindas... essas eu pego e coloco para fora, crescerão.
É assim morar na Barreira do Inferno, se forem pragas, faltam 2 pra 7.
Walk like an egipcian!

domingo, 10 de maio de 2009

cotidiano

Fica difícil pra uma vaca sair do supermercado cheia de sacolas e pegar um micro-ônibus.
Mas eu subi. Passei pela catraca, paguei ao motorista que puxou meu rabo que ficou preso na porta. Sorrimos entrei chacoalhando e fui pro fundo onde parecia ter lugar.
Dei de cara com um bêbado que me disse sussurrando: -Vamu pra delagacia!
Voltei prum assento ao lado de um grandão, que não gostou muito, mas nos ajeitamos.
Lá atrás o cara continuava: -Pára na delegacia!
A cada vez que dizia isso, as pessoas olhavam pra trás. Metade delas eram crianças, com seus pais, todas um pouco assustadas.
O ônibus já não estava mais tão cheio e então o cara teve mais espaço e disse agora: -Devolve a menina!
Olhei pra trás e vi um grandalhão, eu já o tinha visto outras veses pelo bairro, com os olhos esbugalhados de terror, com uma menina de uns 6 anos agarrada nele, gritou em pânico: -Ele é meu pai!
O cara disse mais uma vez: -Devolve a menina!
Antes que terminasse a frase, tomou uma cotovelada de baixo pra cima, caiu sentado, e sem que precisasse muito esforço o pai encheu de socos a cara do cara.
Era uma parada. O cara desceu em silêncio. Virou-se para olhar o interior do ônibus. Levou a mão à boca ensanguentada. Alucinado continuou olhando pro nada quando o ônibus arrancou.
Fez se um herói.
As pessoas passavam pelo pai, cumprimentando. Uma disse que já tinha visto o cara o seguindo, outro que usava carteira especial. Ainda lembro daquele olhar... vidrado e sangrando. Sangue nos olhos.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

pequenos poderes


Atravessei a praça em direção à um teatro no centro da cidade.
Fui a bilheteira e perguntei:
-Olá... Que horas eu poderia ver o teatro?
-Ela de dentro, abriu a boca, cheia de lanche e me cuspiu dizendo:
-Fique a vontade, pode entrar!
E falou isso lançando pedaços de comida na minha direção, que por minha sorte esborrifaram e escorreram pelo vidro.
Fui pro saguão indicado, as pernas de um sargento bloqueavam a passagem, estavam esticadas para frente, em sua cadeira de tédio.
-Que assunto a "senhora" quer tratar?
-Alguém da administração? Pauta, agenda, programação... sou artista e...
-Não pode não... volte outro dia.
-Então posso falar com algum funcionário do teatro?
-Hoje não pode não...
E esperei, ainda um pouco... ninguém apareceu.
Enfiei meu rabinho entre as pernas, baixei meus cornos e fui pastar por ali.

domingo, 19 de abril de 2009

19 de abril dia do índio